“O orgulho… é filho da ignorância.”
Parece óbvio, mas é verdade. Todo o ser humano, quando nasce traz consigo vários sentimentos que ao longo da vida, eles vão tomando corpo.
Quando ainda crianças, temos o sentimento da curiosidade. Tudo quer pôr na boca. Quando chega a idade dos 7 a 10 anos, de tudo quer saber. É a idade do por quê. Ao atingir a adolescência, só quer saber de namorar, amar e curtir a vida.
Quando alcança a maioridade, começa a aflorar um dos sentimentos mais tristes do ser humano. O orgulho. Não se pergunta nada. Não quer opinião de ninguém e muito menos, quer vê alguém lhe corrigir.
Eu, como todos os demais seres humanos, também caí nesta triste armadilha. No início de minha vida profissional não aceitava a opinião de ninguém, me achava auto-suficiente em tudo, mas na verdade, não sabia de nada, como ainda hoje continuo sem saber, mas querendo aprender.
Como estava falando, na época eu trabalhava em uma emissora de Rádio FM – em minha querida Arapiraca-AL -, como operador de áudio. Era uma emissora que chegou “prá bombar”, como dizem os jovens de hoje. Como tinha uma programação com os enlatados americanos, já que recebia a programação de uma rede de São Paulo, a direção artística exigia que nós tocássemos 4 x 1, ou melhor, 4 músicas internacionais e uma nacional.
Era um horror. Mas como há um ditado que diz: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”, tínhamos mais que obedecer.
Certa vez recebi a programação toda em fita de rolo. Ainda era a época do gravador AKAE. Pois bem. Era um domingo, imaginem, uma cidade com aproximadamente 100 mil habitantes, onde a população já acordava cedinho para ouvir a emissora, tinham outras, mas como era nova, era também novidade.
Coloquei a fita no gravador que tinha duração de aproximadamente duas horas. Fiz todos os procedimentos técnicos e fiquei na porta da emissora dando uma paqueradinha, pois ninguém é de ferro e ainda por cima, as meninas da cidade faziam fila para conhecer a rádio e seus locutores.
Demorei cerca de 20 a 30 minutos. Como ainda era jovem, fazia muito sucesso com as garotas.
Conversa vai, conversa vem e esqueci de retornar até o estúdio para vê como estava a situação.
O mais triste em tudo isso, é que coloquei a fita ao contrário e como eu disse, as músicas eram em inglês, achei que o som que ouvia no som ambiente da rádio, eram internacionais.
Porém, para a minha desgraça e surpresa, como não tive o sentimento de perguntar a ninguém, o som que chegava a casa dos ouvintes, nem era inglês, francês, italiano ou outro qualquer, era uma enrolada completa. Nem quem morou nos Estados Unidos, entendia que raios de música era aquela. Resultado, como o diretor técnico morava na cidade e era bastante conhecido, os ouvintes começaram a ligar para a casa dele e perguntar que tipo de música era aquela.
Sem entender também absolutamente nada, o técnico que prefiro reservar o seu nome, foi até a emissora e realmente constatou que eu teria colocado a fita do lado contrário. Fui suspenso por três dias e por pouco, não fui demitido.
Aprendi com esta lição, que quando não sabemos de algo, o melhor é perguntar. Pois, como diz a sabedoria popular: “O orgulho… é filho da ignorância.”
Cláudio Roberto, é um profissional de comunicação com passagens por grandes veículos de comunicação nacionais. Em São Paulo, trabalhou na extinta Rádio Manchete, Rádio Atual, Rádio Bandeirantes, Rádio 2 e Jornal Opção. Atualmente exerce as funções de Assessor de Imprensa da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e edita as revistas Xereta e Popim, veículos com circulação regional. Escreve para o Chapa, como ele mesmo diz, “sempre que pode“, e edita a coluna Vida de comunicador em nosso Blog.
Popularity: 13% [?]



kkkkkkkkkkkkkkk. Muito bom Cláudio. kkkkkkkkkkkkkkkkkk