Dyslexie: um typeface para disléxicos
A dislexia é mais frequentemente caracterizada pela dificuldade na aprendizagem da decodificação das palavras. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra (o princípio do alfabeto); também costumam trocar letras, por exemplo, b com d, ou mesmo escrevê-las na ordem inversa, por exemplo, “ovóv” para vovó. Enfim, em resumo, a dislexia é um problema visual que envolve o processamento da escrita no cérebro, sendo comum também confundir a direita com a esquerda no sentido espacial.
“Dyslexie”
Para tentar minimizar as dificuldades de leitura dos disléxicos, o designer Christian Boer do Studiostudio criou um typeface especialmente desenvolvido para eles.
O novo typeface foi denominado de Dyslexie.
De acordo com Boer, “o problema é que as pessoas com dislexia veem as letras como figuras em 3D. Assim, a maioria das letras acaba ficando muito semelhantes aos olhos dos disléxicos, o que dificulta sobremaneira a diferenciação dos caracteres”.
Para resolver o problema, Boer encontrou uma solução muito simples. Ele distorceu os caracteres para tentar compensar os fenômenos de “rotação” e “espelhamento” que, segundo ele, são os principais responsáveis pela dificuldade de leitura e diferenciação dos tipos pelos disléxicos. Entenda melhor o processo assistindo o vídeo acima.
E os resultados?
Segundo o professor e pesquisador Renske de Leeuw, da University of Twente, que fez uma pesquisa sobre a fonte criada por Boer, “a leitura com a fonte ‘Dyslexie’ não melhora a velocidade de leitura. No entanto, alguns tipos específicos de erros de leitura são reduzidos, enquanto outros são aumentados. De maneira geral, podemos afirmar que os disléxicos cometem menos erros na identificação das palavras impressas com a fonte Dyslexie”. (leia o estudo na íntegra)
A fonte já está à venda. Saiba mais sobre o projeto em: Project dyslexie (em holandês).
Hélio Teixeira é profissional de comunicação e pesquisador da Cultura Digital e dos processos comunicacionais mediados pelas novas mídias. Estudioso das tecnologias sociais digitais e dos mecanismos agregadores de inteligência coletiva em ambientes digitais. Participante ativo, com contribuições destacadas, em diversos fóruns acadêmicos de discussão da temática da Comunicação mediada por meios digitais nos Estados Unidos e na Europa. Atualmente dedica boa parte do seu tempo ao estudo da Psicologia Social aplicada ao que ele chama de “ambientes visuais-deliberativos digitais”.
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Muito interessante, até que enfim alguem pensou nos dislexicos, que deve ser uma fatia grande da população!