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Qui, 9/09/10 – 10:28 | Nenhum Comentário

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Sua instituição pública já tem Orkut? Por que não?

Postado por Hélio Teixeira em Segunda-feira, 8 Dezembro 20085 Comentários

Tim Lucas, fundador da cosultoria TWRAmericas (consultoria que estuda o comportamento do consumidor) em sua recente participação no New Brand Communication (evento promovido pela Editora Meio e Mensagem), revelou dados de um estudo realizado pela sua empresa, que mostra como a internet e o celular estão modificando os hábitos de quem tem entre 15 e 19 anos.

O estudo denominado New Generation, ouviu cem pessoas entre 15 e 19 anos. O objetivo da pesquisa foi mostrar como é a relação dessa geração com as marcas e a tecnologia.

Durante o evento Lucas lembrou que metade da população mundial tem menos de 25 anos. E contou que para fazer o levantamento entre os jovens brasileiros – de diferentes classes sociais de São Paulo e de Florianópolis (SC) – tentou entrar na vida deles. Assim, segundo reportagem publicada na revista Meio e Mensagem, as entrevistas foram realizadas em escolas, nas ruas e também online. “Tivemos de repensar os lugares de pesquisa“, revelou o pesquisador.

A partir dos depoimentos ficou claro que a tecnologia é um assunto que une os integrantes da geração, independentemente do histórico de vida de cada um.

Um dos dados mais relevantes da pesquisa foi a constatação que o fenômeno do Orkut (e similares) já ganharam proporções sem precedentes em nosso país. Segundo o pesquisador, por exemplo, 57% dos jovens brasileiros atualizam diariamente suas páginas nas redes sociais. Para o pesquisador, a nova realidade cria também a necessidade de reformular a maneira de se comunicar com esse público. “O marketing deve ser uma conversa de mão dupla“, frisou Tim.

O pesquisador levou para o evento seis dos jovens entrevistados, todos da região sudeste do país. Nas conversas com este grupo foi possível concluir que a periferia paulistana também é extremamente influenciada pela web. Marcas como MSN, YouTube e, acima de tudo, Orkut fazem parte do dia-a-dia dos jovens da região. “Se você encontra alguém que não tem Orkut parace que ele é de outro mundo”, afirmou Aline Cristina de Souza uma das entrevistadas.

Para o pesquisador, esta mudança no dia-a-dia dos nossos jovens impõe uma nova dinâmica à comunicação das nossas organizações públicas ou privadas.

De acordo com o estudo, fica claro que a dinâmica tem que ser outra. Na internet, por exemplo, as instituições públicas ou privadas devem aceitar que a comunicação com os seus consumidores deve acontecer como um “multilogue” (comunicação de todos para todos), substituindo a prática atual os chamados “monologues” (comunicação da organização para os seus consumidores). Isso significa não apenas saber falar, mas principalmente, saber ouvir.

Algumas das maiores empresas do mundo já ocupam espaços significativos dentro das principais redes sociais. Podemos dizer que esse é o maior desafio de comunicação do momento para dez entre dez executivos do mundo privado nos dias de hoje.

Ao contrário do mundo privado, as nossas organizações públicas pouco debatem o assunto. Na verdade, a grande maioria dos nossos gestores, não têm sequer um endereço de email. O assunto só é discutido em pequenas ilhas de excelência ainda muito raras no universo público brasileiro. E mesmo entre aqueles que já discutem o assunto ainda existem mais dúvidas do que certezas.

Um dos temas que mais levantam polêmica é exatamente a participação dos usuários nos portais públicos e nas redes de relacionamento. Nossos gestores públicos enfrentam dilemas em relação à moderação dos comentários feitos pelos leitores (nos sites oficiais e nas redes de relacionamento). Isso por causa da proliferação de termos ofensivos, denúncias vazias com finalidades puramente eleitorais, ou ainda, o uso de termos racistas e preconceituosos.

O Chapa Branca ouviu alguns gestores públicos sobre o tema, e as opiniões são as mais variadas. Há quem defenda a liberdade total para o usuário postar seus comentários. Outros preferem algum controle seja via software que filtra as mensagens, seja contratando um profissional para cuidar da edição.

“Algumas pessoas poderiam usar um portal oficial para chamar (sem provas) algum político de ladrão ou coisa parecida. No Orkut também teríamos o mesmo problema.” afirmou um diretor de uma autarquia nordestina ouvido pelo Chapa Branca.

Mas nem todos são contra, ontem, quando já estávamos fechando esta matéria, recebemos um email de um secretário municipal de uma cidade da região centro-oeste, com quem já havíamos tentado contato (sem sucesso) no início da semana passada. “Defendo que os veículos públicos deveriam sim dar voz ao povo e abrir, SEM NENHUMA RESTRIÇÃO, espaço para comentários em seus portais oficiais. Por que temer a opinião daqueles que pagam os nossos salário? Tem uma frase tão antiga quanto justa, que se aplica bem aqui: Quem não deve não teme!” , disse ele.

Uma das melhores soluções para este dilema (na minha opinião) é o estabelecimento de “regras claras” para os leitores. Antes de postar qualquer comentário, o usuário já saberia de antemão o que pode ou não ser dito o que tornaria o relacionamento mais transparente. E ninguém ficaria surpreso ou chateado se o seu comentário não fosse publicado, caso ele infringisse as regras de “civilidade” pré-estabelecidas.

É SABER OUVIR

Nossas instituições públicas precisam desenvolver um relacionamento de cumplicidade com os usuários dos seus serviços (virtuais ou não). E para isso, repito, é preciso saber ouvir. “Conversar francamente sem barreiras e ouvir a todos sem distinção. É preciso perdermos o medo. O grande problema é que os nossos políticos não querem mostrar a cara, temem a opinião do povo”, afirmou outro gestor público em conversa com o Chapa.

Os nosso portais oficiais precisam de uma audiência ativa e participante, “A mera oferta de interatividade (como diz Jean-François Fogel, diretor da versão online do jornal Le Monde) já é passado. Temos de pensar de que modo o público pode se tornar difusor do nosso trabalho“.

E não existe alternativa mais barata e eficiente para alcançar este objetivo, do que ocupar espaços nas redes sociais. Acredito que a participação ativa das nossas organizações públicas em espaços virtuais como o Orkut, por exemplo, vão melhorar as suas capacidades de comunicação e de diálogo com a sociedade e pode até melhorar a eficiência e o controle do gasto público.

Fico com as palavras do secretário municipal: QUEM NÃO DEVE NÃO TEME!!!

E aí, A SUA ORGANIZAÇÃO PÚBLICA JÁ TEM ORKUT???? POR QUE NÃO???????

Hélio Teixeira, é publicitário, especialista em gerenciamento de identidade corporativa e apaixonado por Design Gráfico e Web Design. É consultor de Comunicação e Marketing e já prestou consultoria a grandes empresas nacionais. No mercado publicitário atuou nas áreas de Planejamento de Mídia, Direção de Arte e Criação. Presta serviços de assessoria a instituições públicas desde o ano 2000.

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5 Comentários »

  • Carlos Diegues Moura says:

    Hélio,

    Concordo contigo. QUEM NÃO DEVE NÃO TEME. Nossas instituições públicas não deveriam ter tanto medo de ouvir a opinião daqueles que as sustentam com o pagamento de impostos.

    O problema é que a falta de transparência pode ser um grave sintoma de um mal maior, a falta de honestidade e/ou competência da grande maioria dos nossos “homens públicos”. É aí onde reside o problema maior.

    Parabéns pelo artigo.

  • Zeca Marinho says:

    Ótimo post, esta é uma discussão que deve ser cultivada em todo o serviço público.

    Infelizmente enfrentamos algumas restrições impostas pelos nossos chefes que nos impedem de liberar os comentário nos portais públicos.

    Já tentei convencer o meu chefe, mas meu esforço até agora foi em vão. Vou pedir para ele ler este artigo, quem sabe ele não se toca, né? rsrsrsrsrsrs

  • Monica Luise Santoro says:

    Também concordo com vocês. QUEM NÃO DEVE, REALMENTE, NÃO TEME!!!!

  • Jonas Mello says:

    Hélio, vc tocou no ponto mais sensível de todos. A completa falta de transparência em nossas instituições públicas. Esse, de fato, é o grande mal do serviço público brasileiro.

  • Isaías Martins Lima says:

    Hélio,

    Mais um grande post cara, parabéns!!!!

    Fui!!!

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