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Os nove sintomas da “Cultura do Ofício”.

Postado por em Tuesday, 14 October 200820 Comentários

Você sabe reconhecer os principais sintomas da Cultura do Ofício? Quais os sintomas mais visíveis deste mal? Como saber se a sua organização pública sofre desse mal?

Apesar de não ser médico, portanto, dignosticar doenças não ser o meu forte. Mesmo assim, resolvi aceitar o desafio e elaborar uma lista com os principais sintomas deste mal. Vamos a eles:

INTERNALIZAÇÃO DAS REGRAS E EXAGERADO APEGO AOS REGULAMENTOS

As normas e regulamentos se transformam de meios, em objetivos. Passam a ser absolutos e prioritários. O funcionário público adquire “viseiras” e esquece que a flexibilidade é uma das principais características de qualquer atividade racional. Os regulamentos passam a ser os principais objetivos do servidor, que passa a trabalhar em função deles.

EXCESSO DE FORMALISMO E DE PAPELÓRIO

É o mais gritante dos sintomas da Cultura do Ofício. A necessidade de documentar e de formalizar todas as comunicações pode conduzir a tendência ao excesso de formalismo, de documentação e, conseqüentemente de papelório.

RESISTÊNCIA ÀS MUDANÇAS

O funcionário acostumado com a repetição daquilo que faz, torna-se simplesmente um executor das rotinas e procedimentos. Qualquer novidade torna-se uma ameaça à sua segurança. Com isto a mudança passa a ser indesejável.

DESPERSONALIZAÇÃO DO RELACIONAMENTO

O reino da Cultura do Ofício, tem como uma de suas características a impessoalidade no relacionamento entre os funcionários, já que enfatiza os cargos e não as pessoas levando a uma diminuição das relações personalizadas entre os membros da organização.

CATEGORIZAÇÃO COMO BASE DO PROCESSO DECISÓRIO

A Cultura do Ofício se assenta em uma rígida hierarquização da autoridade, portanto quem toma decisões será aquele mais alto na hierarquia.

SUPERCONFORMIDADE ÀS ROTINAS E PROCEDIMENTOS

A Cultura do Ofício se baseia em rotinas e procedimentos, como meio de garantir que as pessoas façam exatamente aquilo que delas se espera: as normas se tornam absolutas, as regras e a rotina se tornam sagradas para o funcionário, que passa a trabalhar em função dos regulamentos e das rotinas e não em função dos objetivos organizacionais que foram realmente estabelecidos.

EXIBIÇÃO DE SINAIS DE AUTORIDADE

Como a Cultura do Ofício enfatiza a hierarquia de autoridade, torna-se necessário um sistema que indique a todos, com quem está o poder. Daí a tendência à utilização intensiva de símbolos ou sinais de status para demonstrar a posição hierárquica, como o uniforme, localização da sala, do banheiro, do estacionamento, do refeitório, tipo de mesa etc.

DIFICULDADE NO ATENDIMENTO AOS CLIENTES E CONFLITOS COM OS PÚBLICOS INTERESSADOS

O funcionário está completamente voltado para dentro da organização, para as suas normas e regulamentos internos, para as suas rotinas e procedimentos. Com isso a Cultura do Ofício torna-se esclerosada, fecha-se ao cliente, que é seu próprio objetivo, e impede totalmente a inovação e a criatividade.

NÃO RECONHECE AS INDIVIDUALIDADES

As causas das disfunções da Cultura do Ofício residem basicamente no fato dela não levar em conta a chamada organização informal que existe fatalmente em qualquer tipo de organização, nem se preocupar com a variabilidade humana (diferenças individuais entre as pessoas) que, necessariamente, introduz variações no desempenho das atividades organizacionais.

Bibliografia:

1. WEBER, Max. Sociologia. São Paulo: Ed. Atlas, 1979. Cap. 3: A “objetividade” do conhecimento nas Ciências Sociais;
2. WEBER, Max. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Martin Claret, 2003.
3. WEBER, Max. Ciência e Política : duas vocações. São Paulo: Ed.Cultrix, 2000.
4. WEBER, Max. A ética protestante e o espírito capitalista. São Paulo: Martin Claret, 2003.
5. WEBER, Max. A ética protestante e o espírito capitalista. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
6. Wikipedia

Hélio Teixeira é profissional de comunicação e pesquisador da Cultura Digital e dos processos comunicacionais mediados pelas novas mídias. Estudioso das tecnologias sociais digitais e dos mecanismos agregadores de inteligência coletiva em ambientes digitais. Participante ativo, com contribuições destacadas, em diversos fóruns acadêmicos de discussão da temática da Comunicação mediada por meios digitais nos Estados Unidos e na Europa. Atualmente dedica boa parte do seu tempo ao estudo da Psicologia Social aplicada ao que ele chama de “ambientes visuais-deliberativos digitais”.
Editor do Blog Chapa Branca. Veja os artigos já publicados por ele. Siga ele no Twitter!

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20 Comentários »

  • André Brum says:

    Realmente, percebe-se que em muitas organização a razão de ser são as rotinas e os procedimentos. Aliás, há entidades que têm contabilidade e atas em dias, mas sua razão de existir é discutível. Por outro lado, Hélio, o oposto de qualquer dos itens que aponteste pode ser sintoma de desvirtuamento dos objetivos das organizações. Por exemplo: marcas pessoais em ações que deviam ser impessoais, demostrando personalismo. Acho que isso também é um problema. Enfim, há que se evitar excessos de todos os tipos.

  • Paulo Henrique says:

    Ótimo artigo! Muito bom!

  • Hélio Teixeira says:

    André,

    Pelo menos em tese, a burocracia não é problema. O PROBLEMA É O EXCESSO. A busca do equilíbrio é muito difícil. Muitas vezes estamos tão acostumados em repetir determinados procedimentos que esquecemos de refletir sobre eles. O artigo toca exatamente neste ponto. Queremos que as pessoas reflitam sobre o seu trabalho e os seus relacionamentos profissionais. E tornem as suas vidas profissionais mais produtivas para a sociedade (que paga os seus salários) e interessantes para eles mesmos.

  • Arthur Lima says:

    André e Hélio,
    Este artigo desnuda muita coisa a respeito do dia a dia de uma repartição pública. Confesso que o órgão onde trabalho, apresenta pelo menos 6 dos sintomas apresentados. Nós servidores públicos, muitas vezes, agimos no chamado piloto automático. Foi assim que aprendemos e somos tentados a continuar fazendo tudo exatamente igual, não importando se é certo ou errado (ou se é mais eficiente ou não). O que é uma tremenda burrice. É preciso realmente refletirmos muito sobre esse tema. Parabéns pelo artigo e pelo Blog. Muito bom mesmo!

  • Mário Feitosa says:

    A luta contra a burocracia deve ser constante e diária. Não vejo nada mais prejudicial ao desempenho da função pública do que o excesso de burocracia. Gostei muito do artigo, vou imprimi-lo e colocar no quadro de avisos da minha repartição. Precisamos realmente refletir sobre o assuntos e este artigo serve muito bem como início. Parabéns!!

  • Pedro Ulisses de Aquino says:

    Concordo com o André quando ele afirma que é necessário discutir também o “uso de marcas pessoais em ações que deviam ser impessoais, demostrando personalismo”. Vivemos essa triste realidade em muitas cidades brasileiras. Os prefeitos utilizam quase toda a verba de comunicação das prefeituras para promoção pessoal. Um verdadeiro abuso que deve ser denunciado.

  • Augusto César de Araújo says:

    Olha, vocês estão esquecendo do Poder Judiciário. Lá as coisas não são fáceis não. A burocracia no Judiciário, na minha opinião, é a que traz as consequências mais nefastas. É muito comum vermos famílias esperando indenizações por uma vida inteira. E muitas vezes quando vem o beneficiário já está morto. Sou funcionário público da Justiça Federal e vejo diariamente casos como esse. Fico indignado com tudo isso, mas não posso fazer nada sozinho. Peço que o Chapa Branca se debruçe sobre isso e faça inicie uma discussão sobre o tema. Já divulguei o Blog de vocês com meus colegas de trabalho. Mas eles reclamaram que apesar dele se propor a discutir toda a temática do poder público, até agora só está restrito ao Legislativo e um pouco também ao Executivo. Pedimos que vocês façam mais matérias sobre o Judiciário. Garanto que a audiência de vocês vai aumentar. Parabéns pela iniciativa.

  • Hélio Teixeira says:

    Augusto,

    Já estamos produzindo material específico do Judiciário. Este artigo por exemplo, se aplica muito bem tanto ao Judiciário como a qualquer outro Poder. Acontece que o nosso Blog surgiu dentro de uma Comunidade chamada Gitec (do Programa Interlegis do Senado Federal)e naturalmente, os primeiros colaboradores foram servidores do Poder Legislativo. Nos últimos dias recebemos alguns emails de servidores do Poder Judiciário se propondo a colaborar com o Blog. Portanto, muito em breve teremos disussões voltadas “especificamente” às questões do Judiciário.

  • Mário Menezes says:

    Concordo com o Augusto. É preciso discutir também as questões do Judiciário. Mas também é importante que as pessoas ligadas ao Judiciário participem sugerindo pautas e temas para discussão.

  • Cátia de Souza says:

    Não se esqueçam das autarquias. As práticas dentro dessas instituições também precisam ser discutidas.

  • José Matias says:

    Ótima discussão. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Todos nós devemos participar de uma forma ou de outra. Pois a mudança culturais dentro de uma organização só acontencem quando há o envolvimento de todos. Não podemos nos omitir de maneira alguma. Parabéns ao Chapa Branca!

  • Amaury Santiago says:

    Excelente artigo. Depois que li, pude constatar o quanto somos “engolidos” por velhos hábitos. Como às vezes repetimos, repetimos, repetimos… certos procedimentos sem ao menos questionar a sua eficácia.

    Parabéns ao Hélio e ao Chapa Branca pelo ótimo artigo.

  • Amorim Neto says:

    Ótimo texto. Utilizei ele numa reunião com toda a nossa equipe de servidores. E a aceitação foi a melhor possível. Parabéns pela idéia do Blog e pelo conteúdo de extrema utilidade.

  • Pedro Alexandrino says:

    Bastante elucidativo. Muito bom. Preciso divulgar urgentemente entre a minha chefia. Eles precisam acordar e parar de fazerem as besteiras que fazem.

  • André Brum says:

    Hélio,

    dou continuidade ao debate, sem querer polemizar (ou polemizando, qual o problema se o fazemos modo respeitoso?) ou monopolizar. Disseste que os funcionários públicos devem refletir sobre o tema proposto para que “tornem as suas vidas profissionais mais produtivas para a sociedade (que paga os seus salários) e interessantes para eles mesmos”. O principal é a ação mais produtiva para a sociedade, mesmo que nosso trabalho não seja interessenta para nós mesmos. Bom, sendo interessante, melhor, pois nos torna mais produtivos, não é? Mas nem sempre há essa correspondência: há quem torne seu trabalho mais interessante para si próprios, sem considerar os benefícios sociais (que é o que importa) de sua atuação (não falo apenas de ocupantes de cargos eletivos). E as instituições nem sempre detectam isso. Daí para procedimentos não necessariamente importantes para a sociedade é um pulinho. Meu post anterior foi nesse sentido. Grande abraço e parabéns pela iniciativa.

  • Hélio Teixeira says:

    Isso mesmo André. A atividade pública tem que ser “interessante” para todos os envolvidos. Mas acima de tudo, deve estar a serviço do intesse maior, que é o interesse público. Infelizmente o que temos visto na cena política em nosso país é algo completamente diverso disso. Uma parte considerável dos envolvidos (salvo as exceções de praxe) só pensam em si, e esquecem do interesse público.

  • Carlos Miguel Cintra says:

    Hélio, mais um artigo super inteligente e apropriado à nossa realidade. Parabéns.

  • Rita Tanajura says:

    Parabens pela excelentes reportagens. Reciclo muito e sempre seus conteudos em meus trabalhos.

    Principalmente os artigos do Sr Helio Teixeira

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